Secretário de Comunicação e Marketing

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05/10/2025 00:00:00 00:00:00

Entre rios, marés e memórias


Uma volta à terra natal, onde a saudade se mistura ao louvor e o tempo parece ter o cheiro do mar

O sol nascia preguiçoso sobre as águas do Acaraú, e Francisco Martins sentia o coração bater em outro ritmo — o da saudade. Fazia já um tempo que ele não via de perto aquele mesmo rio que, na infância, serviu de espelho para seus sonhos e travessuras. No último final de semana de setembro, na condição de vice-presidente Nordeste da CNHP, ele voltou à sua terra natal não apenas para participar de um congresso, mas para revisitar um pedaço de si — aquele menino das Cacimbas que um dia partiu, ainda no início dos anos 60, rumo a Fortaleza, levando na bagagem mais esperança do que certezas.




No sábado, dia 27, o compromisso era solene: o Congresso da Sinodal Norte do Ceará. No domingo, dia 28, porém, o chamado foi outro — o da memória. Francisco, hoje mais conhecido por Martins, seguiu até Cacimbas, um próspero polo de ecoturismo, que abriga aquele que é considerado o maior viveiro de camarão do Nordeste. Onde antes havia chão de barro e mangue, agora o progresso dança sobre as águas, sem apagar o cheiro do tempo. Ele olhou em volta e viu mais que tanques e viveiros: viu sua infância correndo livre, viu alguns amigos de outrora ainda vivos, enquanto outros são apenas lembranças sopradas pelo vento que vinha do mar.



Diante daquele cenário, o coração bateu forte e as emoções tomaram conta. Francisco agradeceu a Deus, em silêncio, por cada passo — os que o levaram para longe e os que o trouxeram de volta. Acaraú, com seus 60 mil habitantes e sua alma que mistura o rio e o mar parecia sussurrar que o tempo passa, mas não apaga as raízes. Fundada em 1849, terra do camarão, da castanha e do coco, a cidade se orgulha de celebrar, entre outubro e novembro, o Festival Internacional do Camarão da Costa Negra, que atrai chefs renomados de todo o país e até do exterior. E Francisco, homem de fé e de lembranças, partiu outra vez — certo de que o amor pela terra natal não morre, apenas adormece... à espera de um reencontro à beira do rio, ou nas ondas do Oceano Atlântico.


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