Secretário de Comunicação e Marketing

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20/11/2025 00:00:00 00:00:00

Do café ao cálice: Travessias de um domingo de graça em Gramacho




Naquelas manhãs em que o sol parece acordar mais cedo — talvez por curiosidade das coisas de Deus — a IP Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ) abriu as portas como quem se declara sinceramente. Havia cheiro de bolo no ar, desses que lembram afeto de cozinha antiga, e gente chegando devagar, como se cada passo fosse um parêntese de alegria. Era dia de Escola Bíblica Dominical, mas também de celebrar o aniversário do presbítero Jonas Almeida, um dos líderes desta vibrante comunidade da Baixada Fluminense.

E, veja só, há aniversários que nascem com sabor de bênção: o café preparado com esmero, o abraço dos irmãos, o bolo feito pelas mãos cuidadosas da irmã Edvânia, esposa do aniversariante. Tudo simples, tudo sincero — como aquelas páginas que Otto Lara diria ter sido escritas pelo cotidiano quando está de bom humor.




Depois da mesa farta de sorrisos, a congregação se ajeitou no templo, e o culto começou como começa o vento no sertão de Rosa: sem pressa, mas cheio de sentido. Coube ao presidente da CNHP, o dileto presbítero Luiz Augusto Gonzaga, que veio de Sampa especialmente para a mensagem levar, fincada em Filipenses.



E era como se seu conterrâneo Orígenes Lessa, que fez sua vida profissional na Cidade Maravilhosa como célebre escritor e conferencista estivesse ali, cochichando que a vida, afinal, é esse jogo entre o agora e o eterno. "Se o viver é Cristo, o morrer é lucro”, recordou ele — e, no fundo, cada um sabia que certas verdades quando ditas, pesam e aliviam ao mesmo tempo. A reflexão era um convite, desses irrecusáveis: viver o Evangelho com todo o fôlego, de tal modo que cada gesto, cada passo, cada silêncio pregue Cristo sem medo e sem disfarce.




Havia, nessa palavra pregada, um chamamento à liderança que não se exibe, mas serve; ao cotidiano que não tropeça no imediato, mas se orienta pelo horizonte da eternidade. Era como se o próprio apóstolo Paulo passasse pelos bancos, perguntando baixinho se já estamos prontos para essa vida que só faz sentido quando olhamos para além da vida.

E então chegou o momento da Koynonia, que nós carinhosamente chamamos de Santa Ceia. Simples, serena, repartida pelo pastor Márcio Egger com o mesmo cuidado de quem toma algo sagrado entre as mãos. A congregação serviu do vinho e partiu o pão em memória de Cristo, e houve um silêncio bonito — daqueles que não são ausência de som, mas presença de Deus. Cada rosto parecia carregar sua própria pequena história de redenção, e todas se encontravam no mesmo cálice.

Ao final, o Amém tríplice ecoou como ecoam certas vozes nas montanhas: firme, unânime, necessário. Era a despedida da manhã, mas não daquilo que ela plantou. Porque houve ali, entre café, Palavra e Ceia, uma costura fina de fé e fraternidade — dessas que o tempo não desfaz.

E assim seguimos, olhos erguidos, passos firmes, coração cheio.

Soli Deo Gloria.



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