Secretário de Comunicação e Marketing

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22/11/2025 00:00:00 00:00:00

Congresso do Pantanal celebra 123 anos do Trabalho Masculino na IPB




Dizem que o Pantanal guarda silêncios que falam. Na manhã de 15 de novembro, em Aquidauana (MS), parecia que até o vento fazia uma pausa respeitosa diante do movimento que tomava a IP local: homens de Bíblia na mão, senhoras ajeitando detalhes, jovens e adolescentes circulando como quem tenta disfarçar a importância do momento. Era o IX Congresso Unificado do Presbitério do Pantanal — mas, mais do que isso, era o reencontro de histórias, expectativas e uma fé que insiste em atravessar gerações. Tudo isso em pleno sábado, com o sol pantaneiro sem qualquer intenção de amenizar seu brilho.

O culto de abertura teve um quê de solenidade antiga, dessas que Nelson Rodrigues diria ser “um teatro da vida real”. Quando se leu o texto do reverendo Alderi Matos sobre as origens do trabalho masculino, hoje UPH, houve quem sentisse um "nó na garganta" — e não apenas pela história, mas pelo reconhecimento de que 123 anos não se sustentam sem uma certa teimosia espiritual. O presbítero Claudinet Evangelista apresentou o selo comemorativo como quem mostra um troféu de família: com orgulho, reverência e aquele cuidado silencioso de quem sabe que símbolos têm peso. Ali se misturavam passado e presente, como duas velhas fotografias encontradas no mesmo baú.




Depois veio a parte administrativa — sempre inevitável nas hostes presbiterianas, mas também necessária. Reuniões, relatórios, plenários, discussões, votações, aprovações. Mas até nesses momentos havia algo de humano, como quando se orou pelas famílias e pelos filhos. Parecia simples, mas era profundo: um lembrete de que qualquer ata ou estatística só faz sentido se houver afeto sustentando o trabalho. Na eleição da nova diretoria, não houve alarde; só aquela sensação de rodízio natural, como água correndo por canais antigos. Felipe Woolley assumiu a presidência, seguido por Antônio Espíndola, Marcelo Cavalcanti (secretaria executiva), Marcelo Zinsly e Adriano Santos (secretários) e Josué Alves (tesouraria) — cada nome como um tijolo novo num muro centenário.




A plenária ainda decidiu que o próximo congresso será na tríplice fronteiriça Corumbá, e houve quem já imaginasse o vento do rio Paraguai soprando entre um cântico e outro, hora para os lados da Bolívia; hora em direção do Paraguai; em outros momentos vindo de volta para o Brasil varonil. Mas foi no culto de encerramento que o dia encontrou seu ponto final — e que ponto final. As sociedades internas recitaram seus motos como quem reafirma ao espelho o que é, o que sempre foi e o que se recusa a deixar de ser. Depois, todos desceram para a foto oficial na escadaria do templo. Um instante congelado — mas, paradoxalmente, cheio de movimento por dentro. Porque ali, naquele enquadramento, estava não só o retrato de um congresso, mas de uma fidelidade que atravessa o tempo. No Presbitério do Pantanal, mais uma vez, a fé ganhou voz, corpo e fotografia.



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