Onde as montanhas de Minas falam mais alto
Há congressos que começam antes da primeira oração. O XVIII Congresso Unificado do Presbitério Alterosas começou no vento fresco da manhã do dia 22 de novembro, quando Belo Horizonte ainda se espreguiçava entre seus morros e povo madrugador. A IP de Nazaré, discreta e firme como tantas igrejas de bairro, viu seu pátio ganhar vida: passos apressados, cumprimentos demorados, e aquele burburinho alegre que anuncia reencontros — o tipo de movimento que o mineiro Fernando Sabino diria ser o prelúdio perfeito para uma história que já estava acontecendo antes de começar.
A mensagem de edificação, trazida pelo reverendo Dionê Stofel, presidente do Presbitério Alterosas, teve o tom de quem fala para gente que conhece bem o peso e o privilégio do serviço. E ali, entre irmãos e irmãs, pastores, diáconos e presbíteros, cada palavra parecia ecoar pelas paredes como lembrança de outras tantas reuniões que o tempo insistiu em preservar. Estavam presentes o reverendo Ricardo Bibiano, sempre atento aos passos do trabalho masculino, seu colega Renê Stofel, anfitrião da casa, e o presbítero Orestes Jorge Flores, que carrega no semblante aquela seriedade serena típica dos que já viram muitas assembleias — e sobreviveram a todas, agora na nobre função de secretário do Trabalho Masculino da Sinodal BH, a qual a Federação está interligada.
Mas o verdadeiro espetáculo, à moda de Nelson Rodrigues, estava nas presenças — 11 das 12 UPHs responderam ao chamado. Vieram homens, mulheres, jovens e crianças de cidades como de João Monlevade, Barão de Cocais, Nova Era (terra de Eliezer Batista), Santa Bárbara (terra de Afonso Pena), Itabira (terra de (Carlos) Drumond, Sabará, Alto Vera Cruz, Belmonte, Manancial, Região Leste da capital e, claro da própria Nazaré/anfitriã. Pareciam um mosaico humano da fé mineira: cada cidade, um sotaque; cada sotaque, uma história. A única ausência, a da 6ª de BH, foi comentada com aquele misto de pena e filosofia que os mineiros dominam como ninguém. E, entre uma anotação e outra, alguém murmurou a boa nova: em 2026, a Congregação de Passabém terá sua UPH organizada. Passar bem é isso — um anúncio simples, cheio de esperança, que mexe mais do que parece.
A eleição da diretoria veio como quem vira mais uma página de um livro que não termina nunca — e ainda bem. Hélder Andrade, de João Monlevade, assumiu a presidência com a tranquilidade de quem conhece a estrada que liga sua cidade à capital - (a Nova 381 - agora toda repaginada e com um piso que parece um tapete negro a cortar as montanhas); João Quitite Filho, da histórica Santa Bárbara, ficou na vice; Flávio Madeira (de Nazaré), firme no Executivo; Eniel Teixeira (também de Nazaré) e Fernando Taneiva (de Itabira), encarregados dos detalhes que ninguém vê, mas todos dependem; Silvério Aredes, da Nova Era, guardará os números — esses que, quando bem cuidados, viram bênção.
No fim, enquanto o pessoal se espalhava pela escadaria para a foto tradicional, havia no ar um sentimento manso, desses que não precisam ser explicados. Talvez fosse a velha sensação de que, apesar das mudanças, há coisas que permanecem: a comunhão, a missão, o compromisso. Minas sabe disso — guarda segredos em suas montanhas alterosas e certezas nas igrejas. E naquele sábado, na IP de Nazaré (bairro que certamente homenageia a cidade onde Jesus foi criado e ganhou a alcunha de Nazareno), uma dessas certezas brilhou mais do que todas: quando as forças de integração da IPB se reúnem, algo silenciosamente grandioso acontece. Sempre!