Quando a IP de Cacoal virou espaço de memória e gratidão
Numa daquelas noites que parecem ter sido ajeitadas pela própria mão de Deus, a Igreja Presbiteriana de Cacoal amanheceu não — mas anoiteceu — em festa. Era 26 de novembro, mas o calendário parecia maior que o dia: carregava dentro dele 123 anos do velho Esforço Cristão, aquele início humilde que depois virou UPH e que atravessou gerações como os rios da região Amazônica que não perdem o rumo. O templo ficou tão cheio que parecia até aqueles terreiros de festa sertaneja, onde o povo chega antes do sol se recolher, cada um trazendo um pedaço da sua história, um fiapo de agradecimento, um canto guardado no peito.
E vieram todos: irmãos da casa, visitantes do presbitério, pastores, seminaristas, oficiais, gente de todo canto. E vieram também os membros de outras sociedades internas — SAF, UCP, UPA e UMP — cada qual com seu jeito de servir, mas todas num só compasso, como se a igreja fosse um grande cordel aberto e cada grupo, um verso que se encaixa. A unidade ali não era discurso: era rastro de vida vivida, de fé que junta miúdo e graúdo, moço e ancião, num mesmo passo de adoração.
A homenagem ganhou forma pelas mãos da diretoria da UPH, que parecia até aquelas comissões de festa das cidades pequenas, onde cada um sabe o que fazer e faz com gosto, bem ao estilo das embarcações que cotidianamente atravessam os rios amazônicos.
Jefferson, o presidente que segura o timão;
Robson, vice que empurra o barco pelo outro lado;
Mateus e Igor, secretários que anotam até quando os mastros ficam em silêncio por volta de vento;
Belarmino, o tesoureiro que guarda os números como quem guarda sementes levadas no porão; e também, sempre de olho na gávea.
Ao lado deles, o pastor Alessandro Santarelli, o almirante das águas doces, tomando conta do rebanho que refugia na embarcação, cuidando do lume para que não se apague.
Foi noite de canto, palavra aberta, testemunho sentido e retratos exibidos — daqueles que puxam a memória pelos cabelos e põem o coração para trabalhar. Era como se cada foto dissesse: “tá vendo? Não chegamos aqui de ontem. Teve suor, teve fé, teve homem que ficou firme quando o vento bateu torto.”
E assim, no entrelaço de lembrança e esperança, a celebração virou marco. Marco de fé, de história, de gratidão. Os 123 anos da UPH não foram apenas comemorados: foram honrados, como quem se curva diante de um legado que ainda respira e chama. Ali, em Cacoal, a noite virou testemunha de que o trabalho masculino — simples, valente, perseverante — segue firme, segurando a enxada da fé com coragem e alegria.
Que essa data fique guardada no livro da vida da igreja, do presbitério e de Rondônia inteira. Que o povo lembre sempre que a graça de Deus é que sustenta, que a força da UPH é que anima, e que os homens presbiterianos, com seus modos de sertão e cidade, seguem caminhando juntos — firmes, confiando em Cristo, servindo com aquele entusiasmo que nem tempo, nem cansaço são capazes de derrubar.