Onde as estradas do Oeste Baiano encontram a fraternidade e o compromisso cristão
Houve um tempo em que tudo era apenas uma conversa, um convite e uma inquietação no coração.
Lembro-me bem daquele dia em que fui chamado para iniciar um trabalho entre os homens do Presbitério Oeste da Bahia. Recebi o convite com alegria, mas também com a consciência de quem sabe que certas tarefas não se realizam sozinho. Por isso, respondi que aceitaria, desde que pudesse contar com o apoio dos pastores. Afinal, a obra de Deus nunca foi construída por heróis solitários. Ela nasce da comunhão, cresce na unidade e floresce no serviço.
Foi assim que comecei a percorrer estradas e a visitar igrejas. Naqueles primeiros passos, eu não carregava projetos grandiosos nem planos elaborados. Levava apenas o desejo de ver os homens mais próximos uns dos outros e mais comprometidos com o Reino de Deus. E foi visitando irmãos, ouvindo histórias, apertando mãos e compartilhando orações que o sonho começou a ganhar forma.
Quem observa uma federação organizada talvez não imagine quantas conversas aconteceram antes, quantas viagens foram necessárias, quantas portas precisaram ser abertas e quantas vezes foi preciso renovar as forças. A verdade é que as grandes obras do Senhor costumam nascer de pequenos encontros.
Com o passar do tempo, veio a alegria de ver organizada a Federação de Homens do Oeste da Bahia. Aquilo que antes era apenas uma esperança tornou-se realidade. E quando eu imaginava que o desafio estava concluído, Deus abriu uma nova porta.
Recebi então a missão de servir na Secretaria Sinodal do Trabalho Masculino. Mais uma vez aceitei com a mesma convicção: caminhar junto dos pastores e das igrejas. Começou então uma nova etapa. Passei a conhecer mais de perto a realidade dos campos, das congregações, das famílias e dos homens espalhados por todo o nosso sínodo.
Viajar pelas estradas do Oeste da Bahia tornou-se parte da rotina. Quilômetro após quilômetro, eu descobria que cada igreja possuía suas lutas, suas alegrias e seus testemunhos. E, em cada lugar, encontrava homens desejosos de servir a Deus.
Minha primeira meta era clara: ver organizadas as federações necessárias para fortalecer o trabalho masculino em todo o Sínodo. Aos poucos, pela graça do Senhor, esse objetivo foi sendo alcançado. Depois da Oeste da Bahia, vieram as Federações do Rio Corrente e do Vale do São Francisco.
Quando olho para trás, não me recordo apenas das distâncias percorridas - que foram grandes, mas prazerosas! Recordo-me dos rostos. Dos irmãos que abriram suas casas. Dos pastores que incentivaram o trabalho. Das conversas após os cultos. Dos cafés compartilhados. Das orações feitas ao redor de uma mesa simples. São essas lembranças que permanecem.
Mas Deus ainda guardava uma surpresa.
Se as federações eram os tijolos, faltava erguer a casa. E assim nasceu o desafio de organizar a Confederação Sinodal de Homens do Oeste da Bahia.
Confesso que, diante da dimensão da tarefa, houve momentos em que ela pareceu grande demais, como o Estado da Bahia. Entretanto, aprendi algo ao longo dessa caminhada: quando a obra pertence a Deus, os limites humanos deixam de ser a última palavra.
Então chegou o congresso em Correntina. E ali, às margens do belíssimo Rio Corrente, principalmente afluente do Velho Chico, aconteceu algo difícil de descrever. Homens vindos de diversas cidades reunidos em um mesmo propósito. Pastores ao seu lado e nosso mui digno vice Nordeste. Vozes diferentes entoando os mesmos cânticos. Histórias distintas convergindo para o mesmo Senhor.
Foi uma dessas ocasiões em que o coração entende antes mesmo que as palavras consigam explicar.
A presença das lideranças do Sínodo trouxe encorajamento. A palavra compartilhada pelos visitantes fortaleceu os homens e renovou a visão da obra. Mas, acima de tudo, percebia-se a mão de Deus conduzindo cada detalhe daquele momento.
Hoje, ao contemplar essa caminhada, não vejo uma coleção de cargos, títulos ou realizações pessoais. Vejo a fidelidade do Senhor. Vejo homens que aceitaram servir. Vejo pastores que acreditaram no projeto. Vejo igrejas que abriram suas portas. Vejo uma Confederação Sinodal de Homens organizada, fortalecida e comprometida com a expansão do Reino.
E, sinceramente, quando penso em tudo o que aconteceu, sinto-me como alguém que apenas caminhou pela estrada enquanto Deus construía o caminho.
Sou grato ao Senhor pelo privilégio de participar dessa história. Se alguma coisa aprendi ao longo desses anos, é que nenhum esforço dedicado à obra de Cristo é desperdiçado. O que fazemos por Ele permanece, mesmo quando o tempo passa.
Por isso sigo em frente, com o coração agradecido, certo de que as próximas páginas dessa história continuam sendo escritas pelas mãos daquele que sempre conduziu cada passo da jornada.
Relato de Pyerry Carddan Miranda Oliveira da Silva, secretário do Trabalho Masculino do Sínodo Oeste da Bahia