Supremo Concílio da IPB encerra trabalhos em Manaus com decisões históricas
Após sete dias de intensos debates, foi encerrada neste sábado (1º), em Manaus (AM), a 41ª Reunião Ordinária do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Realizado desde o último domingo (26), o encontro reuniu
1.584 delegados, aproximadamente 200 visitantes e cerca de 600 voluntários, consolidando-se como a maior assembleia deliberativa da denominação. Durante a semana, os conciliares apreciaram, discutiram e votaram 238 resoluções sobre temas doutrinários, administrativos, missionários e eclesiásticos.
Representantes de quase
400 presbitérios, distribuídos por quase 100 sínodos da Igreja em todo o território nacional, participaram das deliberações, reafirmando o caráter representativo do Supremo Concílio. Além da apreciação de relatórios das juntas, autarquias, secretarias nacionais e agências missionárias, o plenário analisou consultas encaminhadas por igrejas, presbitérios e sínodos sobre temas que vêm mobilizando a Igreja nos últimos anos.
Entre as decisões de maior repercussão está a posição oficial da IPB sobre o
movimento Legendários. O Supremo declarou que movimentos de caráter pragmático, antropocêntrico, neopentecostal e fundamentados em metodologias experiencialistas não encontram respaldo nas Escrituras, na tradição reformada nem na confessionalidade da Igreja. Além disso, recomendou expressamente que membros, oficiais e ministros não participem, não promovam nem apoiem iniciativas consideradas incompatíveis com a fé reformada, fortalecendo, em contrapartida, o trabalho masculino, em especial a UPH, nas igrejas locais.
Outra importante deliberação tratou da
participação de igrejas em festividades carnavalescas. O Concílio definiu que não considera compatível com a identidade, os símbolos de fé e o padrão de vida da IPB a participação de igrejas locais em eventos de Carnaval ou celebrações similares utilizando elementos próprios dessas festividades como estratégia evangelística. A decisão também orienta presbitérios e sínodos a desencorajarem o uso de nomenclaturas, símbolos e formatos carnavalescos em ações missionárias.
Também foram esclarecidas as dúvidas relacionadas à
atuação das mulheres na Igreja. O Supremo - reafirmando a decisão de 2022 - destacou que a restrição existente diz respeito exclusivamente à pregação no Culto Público Solene, vinculada ao ofício ordenado. Ao mesmo tempo, esclareceu que não existe proibição para que mulheres ensinem e proclamem a Palavra em outros contextos, como Escola Bíblica Dominical, sociedades internas, reuniões em lares e demais atividades da igreja, desde que sob a supervisão do pastor e do Conselho. A decisão igualmente preserva a atuação de missionários e evangelistas em situações específicas do campo missionário.
Entre outras deliberações relevantes, o Supremo Concílio aprovou a criação de novas frentes nacionais de trabalho voltadas ao fortalecimento das atividades da Igreja, incluindo a Secretaria Nacional da Pessoa Atípica e com Deficiência, ampliando a atuação da denominação nas áreas de inclusão, acessibilidade e acolhimento. O plenário também promoveu a renovação da Mesa Diretora, que conduzirá administrativamente a Igreja durante o próximo quadriênio, além de apreciar dezenas de relatórios e encaminhamentos administrativos.
Também durante o Supremo Concílio foi eleita a nova Mesa Diretora para o quadriênio 2026-2030. O reverendo
Juarez Marcondes Filhofoi eleito presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil, sucedendo ao reverendo
Roberto Brasileiro Silva, que, conforme determina a Constituição da IPB, passa a ocupar a vice-presidência. Para a Secretaria Executiva, com mandato de oito anos (2026-2034), foi eleito o reverendo
Robinson Grangeiro Monteiro. Também foram escolhidos os demais membros da Mesa: presbítero
George Santos Almeida (1º secretário), reverendo
Carlos Eduardo Aranha Neto (2º secretário), presbítero Marco Aurélio Ribeiro (3º secretário), presbítero
Flávio Roberto de Almeida Heringer (4º secretário); presbítero
Antônio César Freitas (tesoureiro), que conduzirão os trabalhos administrativos do Supremo Concílio no novo quadriênio.
O Supremo Concílio também definiu os titulares das Secretarias Nacionais responsáveis pelos trabalhos das sociedades internas da Igreja para o quadriênio 2026-2030. O comendador
Paulo Roberto Daflon foi reconduzido à Secretaria Nacional do Trabalho Masculino (UPH), permanecendo à frente da coordenação do ministério voltado aos homens presbiterianos. Ele ocupa o cargo desde 2018. Também foram eleitos os reverendos
Vinicius Rangel Sampaio para a Secretaria Nacional do Trabalho da Infância (UCP),
Esdras Emerson de Souza para a Secretaria Nacional do Trabalho da Adolescência (UPA),
Reginaldo Pinho Borges para a Secretaria Nacional da Pessoa Idosa (SNPI),
Edson Fernandes para a Secretaria Nacional de Apoio Pastoral (SNAP), o presbítero
Matheus Souza para a Secretaria Nacional de Mocidade (UMP), e a irmã
Eloisa Helena Alves para a Secretaria Nacional do Trabalho Feminino (SAF). As escolhas reforçam o fortalecimento das ações desenvolvidas pelas sociedades internas e pelos ministérios de apoio da Igreja Presbiteriana do Brasil.
Ao final da reunião, a liderança da Igreja destacou o ambiente de unidade, fraternidade e fidelidade às Escrituras que marcou os trabalhos em Manaus. As resoluções aprovadas passam agora a orientar a atuação dos concílios e igrejas locais em todo o país, servindo como referência para a vida doutrinária, administrativa e missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil no próximo quadriênio.